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Caio Castelo para baixar

O disco solo do comparsa Caio Castelo se chama “Silêncio em Movimento” e já está disponível para download gratuito no site www.caiocastelo.com, com suas 12 faixas e belas ilustrações feitas por Raisa Christina.

Quem quiser pode também encomendar um CD físico por R$10,00. Basta enviar um email para caiocastelooficial@gmail.com e acertar tudo diretamente com ele.

Para mais informações, novidades, agenda e etc., basta curtir a fanpage no Facebook e ficar por dentro de tudo o que acontecer nesse novo trabalho!

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Paraquedas para quê?
por Dalwton Moura

“Silêncio em Movimento”, disco de estreia do cantor, compositor e multi-instrumentista Caio Castelo, apresenta um novo e promissor artista para a música brasileira. Dando vida a composições arejadas e explorando sonoridades a partir de referenciais estéticos da geração mais recente da música nacional, Caio Castelo toca dos violões à guitarra, do metalofone à bateria, além de contar com a companhia de jovens e talentosos músicos. E, na voz sensível ao que pede cada momento, põe na rua o bloco de “Silêncio em Movimento”, conduzindo o ouvinte por entre canções plenas de melodia, ritmos e poesia. Mas também instigantes, por diferentes motivos, sugerindo novas e atentas audições.

E o ouvinte não tarda a atender ao chamado para essa viagem, por caminhos sonoros e poéticos que fragilizam estereótipos (“rock alternativo”? “Nova MPB”?) e revelam a convivência entre supostas diferenças, de modo surpreendentemente natural. Tal qual o silêncio que, no título, se põe em movimento, as canções convidam a percorrer uma variedade de imagens, signos e possibilidades. Referências amplificadas pelas opções de instrumentos e timbres, em um disco facilmente associável ao contexto da música brasileira pós-ano 2000. Mas com personalidade e atrativos próprios, sem medo dos riscos e com muita disposição para, entre o recente e o atemporal, propor outros caminhos ao eterno desafio em que se equilibra a canção.

Essa aproximação entre contrastes e extremos perpassa todo o álbum, desde a marcha da inicial “Enfim nós” (“somos um só nó, tão cego quanto o amor”) até as imagens adornadas de metais, meio latinos, meio Vaudeville, de “A banda abandona a cidade”, meio prosaica, meio inquietante, tecendo a história de um João que “assopra o café, molha o pão, sem muito alarde, que novidade atropela”, mas, ao mesmo tempo, “arrisca tudo sem pensar, segue à risca o que não quer ser”.

Não é à toa que redundância e novidade, eixos interligados na trama de todo bom compositor, dão o mote de canções como “Sobre tudo de novo”, também musicalmente um jogo de oposições, como uma inusitada marcha-rancho na era da informação. Aliterações e provocações. Do sério à sátira. “Tanto já disseram sobre tudo que já nem escuto mais / Faço aquela cara conteúdo, caricatural demais (…) Falta de assunto, de presunto, de energia, tempo e direção. Sigo presunçoso, um defunto todo perfumado de erudição”. E segue o bloco: “O que ainda resta de novo pra se dizer? O que ainda resta pra se dizer de novo?”.

Ironicamente, o próprio disco propõe e prova negar essa negação. Supera o dilema entre fazer ou não e conclama à opção por criar. Seja entre ecos roqueiros e jazzísticos em “Destoa” (“Destoa da imitação que aqui jaz (…) Assina ao fim do texto, mesmo que vá pro cesto”). Seja a acumular “defeitos perfeitos para si”, como a personagem da sinuosa e bluesy “Desse jeito”, com participação da cantora Lorena Nunes, também integrante do Comparsas e aplaudida revelação da música recente de Fortaleza. Ou ainda nos desafios de “Azarão”, desafiando superstições no apressar de flautas, baixo e piano, nuvem negra no céu, cacos do espelho que se acaba de quebrar.

Contra o cético a decretar o fim da criação, o disco tem o lirismo de ambiência infantil e surreal de “Pacto de sombras”, a simplicidade e o humor da direta “Ei” (a busca por alguém pra ser “um par em carne, osso, piercing e distração”), o violoncelo e os ecos circenses de “Homem feito”. Os contrastes também marcam as canções em que a vertigem do amor é o impulso da palavra. A roqueira “Acostumar” é dessa leva. Sem receio de soar pop, a pergunta disposta sobre a melodia de “Porém” faria muito bem aos dials radiofônicos. Assim como os metais e o refrão de “Paraquedas”, que fecha o disco: “Paraquedas para quê se o ar / paralisa a queda e faz o olhar / cavar o céu, voar ao chão / respirar”. Como convida Caio Castelo em “Silêncio em Movimento”.

PARA BAIXAR O DISCO: http://www.caiocastelo.com

FANPAGE: http://www.facebook.com/caiocastelooficial

SOUNDCLOUD: http://www.soundcloud.com/caiocastelo

CONTATO: caiocastelooficial@gmail.com

YOUTUBE: http://www.youtube.com/caiocastelooficial

TWITER: @castelo_caio

CAIO CASTELO – SILÊNCIO EM MOVIMENTO
1. Enfim nós (Caio Castelo)
2. A banda abandona a cidade (Caio Castelo, Allan Diniz e João Paulo Peixoto)
3. Porém (Caio Castelo)
4. Sobre tudo de novo (Caio Castelo)
5. Desse jeito (Caio Castelo)
6. Destoa (Caio Castelo e Richell Martins)
7. Azarão (Caio Castelo e Samuel Goes)
8. Acostumar (Caio Castelo)
9. Homem feito (Caio Castelo)
10. Pacto de sombras (Caio Castelo)
11. Ei (Caio Castelo)
12. Paraquedas (Caio Castelo, Allan Diniz e João Paulo Peixoto)

Arranjos: Caio Castelo, Carlos Hardy, Tom Drummond e Jairo Ponte

Gravação: Josiel Alves – Estúdio Ararena (Fortaleza-CE)

Mixagem e masterização: Ricardo Felix – Estúdio Zam House (Natal-RN)

Produção: Caio Castelo

Capa e encarte: Raisa Christina

Fabricação: Radiadora Cultural e Gráfica Ocho (Fortaleza-CE)

Músicos: Aline Cordeiro, Allan Diniz, Amanda Nogueira, Arimatéa Ayres, Artur Daniel, Caio Castelo, Carlos Hardy, Carolina Lopes, Fernando Lélis, Igor Ribeiro, João Paulo Peixoto, Josiel Alves, Lorena Nunes, Marcelo Holanda, Richell Martins, Rômulo Santiago e Tom Drummond.

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Comparsas da Vivenda: boas canções aprendendo a andar*

*Crítica do espetáculo que apresentamos ontem escrita pelo jornalista Dalwton Moura

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Uma oportunidade de contato com novos compositores, instrumentistas e intérpretes atuantes em Fortaleza, em uma apresentação equilibrada entre esmero e descontração, ensaio e improviso, ineditismo e comunicação com o público. Assim foi o show “Canção que Aprendeu a Andar”, do coletivo musical Comparsas da Vivenda, apresentado na noite de quinta-feira, 24/3, para um Teatro Sesc Emiliano Queiroz com casa cheia – e muita gente cantando junto parte das músicas. Todas inéditas em disco, mas muitas tornadas familiares através de blogs e redes sociais. Além das rodas de violão semanais, nos saraus às terças-feiras em espaço informal e múltiplo, entre as mesas de bar, o piso de brita e os castiçais da Toca do Plácido.

Essa ligação entre palco e platéia, artistas e espectadores, deixa entrever pistas significativas para a compreensão do show apresentado pelos Comparsas – um exemplo fiel do “modo de produção” do grupo, em suas limitações e em seus muitos pontos dignos de destaque. Como os próprios sete músicos dispostos no palco fazem questão de ressaltar, a apresentação reúne canções compostas a muitas mãos, no último par de anos, pelos membros do coletivo, que se caracteriza como tal principalmente pela alternância de papéis e pela interação complementar entre seus integrantes.

As parcerias são várias e diversas, embora, entre baião, xote, rock e canção, se possa divisar claramente um fio condutor urdido entre cores urbanas e influências blueseiras. Os artistas também mudam constantemente de instrumento, ao sabor do que pede cada música. “Metade do show é troca de instrumento”, brincou Jairo Ponte, trompetista, flautista, gaitista, percussionista e, ufa, pai do pequeno Bento, que inspirou uma das canções mais tocantes da noite, composta por Caio Castelo e Tom Drummond. Com direito, no show, a uma contextualização do momento de celebração, entre família e amigos, em que se deu à luz a música.

Se a falta de papeis fixos aponta mais a versatilidade do que qualquer pretensão de virtuosismo do grupo, este não deixa de contar com destaques instrumentais, como o baixista Carlos Hardy, também eventualmente assumindo a guitarra e o piano. E essa multiplicidade casa bem com a variação de atmosfera e estética das canções, conforme se desenrola o repertório que guarda, apesar do ineditismo, boas cartas na manga para estabelecer empatia com o público, via melodias e refrões. É o caso, por exemplo, de “Porém”, de Caio Castelo, cantada em duo com Lorena Nunes, intérprete tão aplaudida quanto Richell Martins, voz do baião “Arranho”, de tons nordestinos e fortes sugestões nas imagens. “A fome, a sede, um só. O cio, o ardor sem voz, na hora da aflição”.

“Te pego na volta”, de Caio e Lorena, na voz dela, é outro “hit” das rodas de violão que funciona de imediato no palco (como caberia perfeitamente no rádio comercial), escandida entre bateria e contrabaixo servindo de cama para a voz rascante da intérprete no território em que se mostra mais à vontade. Como em “Sal”, de Caio e Samuel Goes, antecedida por uma mão um tanto quanto carregada de prosa, entre reflexões sobre o sal “das lágrimas, do suor, da vida”. Não por acaso, a lista de momentos de maior diálogo com o público se completa com mais um blues de nuances sensuais:  “Já que você vai viajar”, de Caio e Alan Mendonça, ecoando e sistematizando desde cedo signos característicos da poética do grupo: “Um blues de amor e sal com o sabor da minha pele”.

Mas há mais cores no caleidoscópio dos Comparsas, personificados como tal em figurino a rigor, contrastando com a juventude do grupo. A simplicidade bem-humorada de “Xote holandês” (Caio Castelo/Samuel Góes) abriria espaço para mais possibilidades de interpretação. A rica expressão teatral de Lorena Nunes na também descontraída “Ai de mim” (Tom Drummond) é outra que pode evoluir em arranjo.

E se a lírica “Enfim nós”, de Caio, cantada por ele ao piano, remete de modo mais direto à sonoridade de grupos que marcaram a década de 2000 no cenário nacional, “Guia de turismo”, de João Paulo, se apropria de elementos da tradição à publicidade para formar um painel, irônico em música e letra, a soar como um inverso e sincero hino às contradições da Terra da Luz. Já a aportuguesada “Margem” (Caio/João Paulo Peixoto) foi uma das melhores da noite, em perfeito casamento entre achados poéticos, soluções melódicas e rítmicas (com a percussão de Amanda Nogueira e Allan Diniz) e a voz de Richell: “Colhi do chão estrelado desenhos de água febril, a onda saía da pedra e voltava pra dentro do rio / Molhei as minhas feridas / Quem ensinou a água a nadar sabia os caminhos da vida, sabia os atalhos pro mar”.

O show mostra que, a seu tempo e modo, os Comparsas começam a transpor as fronteiras da Vivenda para buscar mais repercussão. E o fazem no mesmo compasso de descontração e espontaneidade de um grupo de amigos a compartilhar com clara sinceridade a devoção à criação musical. Melhor para o público.

Dalwton Moura
Jornalista, crítico musical e compositor

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