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Comparsas no Cedeca

Comparsas no Cedeca

Após um longo intervalo para os integrantes se dedicarem aos seus projetos solo e paralelos, os Comparsas voltaram com este show no Cedeca Ceará no dia do rock! O próximo vai ser no Mambembe, dia 17 de julho, às 19h. Esperamos todos! FOTO: Rayana Gadelha

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Vídeos do show no CCBNB

Pra quem perdeu ou só quer rever mesmo, aí vão dois trechos do show que fizemos no início desse mês lá no CCBNB. As músicas são “Alternatividade em série”, do João Paulo Peixoto, e “Quando você me pergunta”, do Rodger de Rogério com Antônio José Silva Lima:

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Comparsas da Vivenda em Terecity!

O comparsa João Paulo Peixoto é um dos selecionados para a 17ª edição do Festival de Música Chapada do Corisco – Chapadão no Palácio da Música em Teresina (PI). Serão três dias de eliminatória, sendo um por semana, com 16 artistas se apresentando por dia.

João Paulo se apresenta no dia 9 de maio a partir das 19h, no Teatro de Arena. Defendendo sua música “Para ler o amor”, será acompanhado pelos comparsas Allan Diniz e Caio Castelo. A finalíssima acontece no dia 30 de maio.

O Chapadão é realizado pela Prefeitura de Teresina através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves e tem como objetivo estimular e valorizar os talentos musicais, promovendo o intercâmbio entre músicos, dando um lugar ao sol para os artistas e estudantes divulgarem seus trabalhos.

Nesta edição, o festival teve 209 músicas inscritas, sendo 160 na categoria não estudante, 32 na estudante e 17 na instrumental. Dessas, haviam sido selecionadas, respectivamente, 24, 15 e 9 composições. No entanto, três acabaram sendo desclassificadas por infringirem o artigo 8°, capítulo II, do regulamento. “Houve uma reavaliação, sendo assim escolhidas outras três composições para participarem do evento”, destaca Luciana Nunes, coordenadora de Música da FCMC. As músicas escolhidas foram “Para Ler o Amor”, de João Paulo Peixoto; “Canção Para o Meu Amor”, de Cláudia Ferraz; e “Vazio Estourado”, de Hugo.

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Comparsas da Vivenda: boas canções aprendendo a andar*

*Crítica do espetáculo que apresentamos ontem escrita pelo jornalista Dalwton Moura

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Uma oportunidade de contato com novos compositores, instrumentistas e intérpretes atuantes em Fortaleza, em uma apresentação equilibrada entre esmero e descontração, ensaio e improviso, ineditismo e comunicação com o público. Assim foi o show “Canção que Aprendeu a Andar”, do coletivo musical Comparsas da Vivenda, apresentado na noite de quinta-feira, 24/3, para um Teatro Sesc Emiliano Queiroz com casa cheia – e muita gente cantando junto parte das músicas. Todas inéditas em disco, mas muitas tornadas familiares através de blogs e redes sociais. Além das rodas de violão semanais, nos saraus às terças-feiras em espaço informal e múltiplo, entre as mesas de bar, o piso de brita e os castiçais da Toca do Plácido.

Essa ligação entre palco e platéia, artistas e espectadores, deixa entrever pistas significativas para a compreensão do show apresentado pelos Comparsas – um exemplo fiel do “modo de produção” do grupo, em suas limitações e em seus muitos pontos dignos de destaque. Como os próprios sete músicos dispostos no palco fazem questão de ressaltar, a apresentação reúne canções compostas a muitas mãos, no último par de anos, pelos membros do coletivo, que se caracteriza como tal principalmente pela alternância de papéis e pela interação complementar entre seus integrantes.

As parcerias são várias e diversas, embora, entre baião, xote, rock e canção, se possa divisar claramente um fio condutor urdido entre cores urbanas e influências blueseiras. Os artistas também mudam constantemente de instrumento, ao sabor do que pede cada música. “Metade do show é troca de instrumento”, brincou Jairo Ponte, trompetista, flautista, gaitista, percussionista e, ufa, pai do pequeno Bento, que inspirou uma das canções mais tocantes da noite, composta por Caio Castelo e Tom Drummond. Com direito, no show, a uma contextualização do momento de celebração, entre família e amigos, em que se deu à luz a música.

Se a falta de papeis fixos aponta mais a versatilidade do que qualquer pretensão de virtuosismo do grupo, este não deixa de contar com destaques instrumentais, como o baixista Carlos Hardy, também eventualmente assumindo a guitarra e o piano. E essa multiplicidade casa bem com a variação de atmosfera e estética das canções, conforme se desenrola o repertório que guarda, apesar do ineditismo, boas cartas na manga para estabelecer empatia com o público, via melodias e refrões. É o caso, por exemplo, de “Porém”, de Caio Castelo, cantada em duo com Lorena Nunes, intérprete tão aplaudida quanto Richell Martins, voz do baião “Arranho”, de tons nordestinos e fortes sugestões nas imagens. “A fome, a sede, um só. O cio, o ardor sem voz, na hora da aflição”.

“Te pego na volta”, de Caio e Lorena, na voz dela, é outro “hit” das rodas de violão que funciona de imediato no palco (como caberia perfeitamente no rádio comercial), escandida entre bateria e contrabaixo servindo de cama para a voz rascante da intérprete no território em que se mostra mais à vontade. Como em “Sal”, de Caio e Samuel Goes, antecedida por uma mão um tanto quanto carregada de prosa, entre reflexões sobre o sal “das lágrimas, do suor, da vida”. Não por acaso, a lista de momentos de maior diálogo com o público se completa com mais um blues de nuances sensuais:  “Já que você vai viajar”, de Caio e Alan Mendonça, ecoando e sistematizando desde cedo signos característicos da poética do grupo: “Um blues de amor e sal com o sabor da minha pele”.

Mas há mais cores no caleidoscópio dos Comparsas, personificados como tal em figurino a rigor, contrastando com a juventude do grupo. A simplicidade bem-humorada de “Xote holandês” (Caio Castelo/Samuel Góes) abriria espaço para mais possibilidades de interpretação. A rica expressão teatral de Lorena Nunes na também descontraída “Ai de mim” (Tom Drummond) é outra que pode evoluir em arranjo.

E se a lírica “Enfim nós”, de Caio, cantada por ele ao piano, remete de modo mais direto à sonoridade de grupos que marcaram a década de 2000 no cenário nacional, “Guia de turismo”, de João Paulo, se apropria de elementos da tradição à publicidade para formar um painel, irônico em música e letra, a soar como um inverso e sincero hino às contradições da Terra da Luz. Já a aportuguesada “Margem” (Caio/João Paulo Peixoto) foi uma das melhores da noite, em perfeito casamento entre achados poéticos, soluções melódicas e rítmicas (com a percussão de Amanda Nogueira e Allan Diniz) e a voz de Richell: “Colhi do chão estrelado desenhos de água febril, a onda saía da pedra e voltava pra dentro do rio / Molhei as minhas feridas / Quem ensinou a água a nadar sabia os caminhos da vida, sabia os atalhos pro mar”.

O show mostra que, a seu tempo e modo, os Comparsas começam a transpor as fronteiras da Vivenda para buscar mais repercussão. E o fazem no mesmo compasso de descontração e espontaneidade de um grupo de amigos a compartilhar com clara sinceridade a devoção à criação musical. Melhor para o público.

Dalwton Moura
Jornalista, crítico musical e compositor

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